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2 meses atrásno
Por
Rômullo FerroFervedouros do Jalapão, Cachoeira da Formiga e a magia da água que não nos deixa afundar
Hoje acordamos em Mateiros, com aquela expectativa que só quem já pesquisou sobre fervedouros do Jalapão entende.
Depois de dias intensos, como os vividos na chegada e nos primeiros atrativos, relatados nos posts do Dia 1 da Expedição ao Jalapão, do Dia 2 com Pedra Furada e Lagoa do Japonês e do Dia 3 com cânions, comunidades quilombolas e dunas, chegamos ao momento mais aguardado por muitos viajantes.
É o dia dos fervedouros do Jalapão, uma das experiências naturais mais curiosas e exclusivas do Brasil.
Após o café da manhã na Pousada Buriti, saímos pouco depois. Antes mesmo de chegar ao primeiro atrativo, fazemos uma parada rápida para fotos no famoso letreiro “Eu Amo Jalapão”, aquele registro clássico que todo viajante quer levar para casa.


Nossa primeira visita é ao Fervedouro da Ceiça das Bananeiras, localizado na Comunidade Quilombola Mumbuca. É aqui que muita gente tem o primeiro contato real com o fenômeno que torna o Jalapão praticamente único no mundo.
E a pergunta surge naturalmente:
Por que não afundamos nos fervedouros do Jalapão?
A explicação é simples e, ao mesmo tempo, fascinante.
No subsolo da região existe uma enorme pressão de água subterrânea que sobe com força através da areia. Essa pressão cria um fluxo ascendente contínuo, que empurra o corpo para cima, funcionando como um verdadeiro “colchão de água”.
Mesmo tentando afundar, o corpo humano é naturalmente sustentado.
Curiosamente, objetos pequenos afundam e desaparecem, já que o fundo é muito profundo. O corpo, no entanto, flutua devido à força da água que vem de baixo para cima.






Existem pouquíssimos lugares no mundo com esse tipo de formação geológica. E o Jalapão concentra vários fervedouros, o que torna a região ainda mais especial.
Durante a visita aos fervedouros e também às cachoeiras, há uma regra fundamental: não é permitido entrar com protetor solar ou repelente na pele, para preservar a água cristalina.
Por isso, a melhor prática é aplicar o protetor ainda na pousada, logo cedo, deixando o corpo absorver bem. Chapéu, óculos escuros e camisa UV fazem toda a diferença ao longo do dia.
Em seguida, seguimos para a Cachoeira da Formiga, um dos melhores lugares para banho em água cristalina no Jalapão.
O atrativo é dividido em dois ambientes: uma área mais tranquila, ideal para relaxar, e outra com a queda d’água, onde a correnteza é mais forte. Para chegar até a queda principal, utilizamos uma corda como apoio, garantindo segurança durante o acesso.
No local, há ainda uma pequena lojinha com suvenires e itens de proteção UV, algo simples, mas bastante útil para quem esqueceu algum item essencial.






Depois, seguimos para um fervedouro privativo do nosso receptivo, onde conseguimos permanecer mais tempo, já que não havia outros grupos. Essa exclusividade faz toda a diferença na experiência.
O almoço acontece no Restaurante Buriti, dentro da própria Comunidade Quilombola Mumbuca. A refeição já faz parte do nosso roteiro e inclui pratos simples, porém muito bem preparados, como galinha, peixe frito, arroz, feijão, salada e macarrão.
À tarde, visitamos o Fervedouro do Buriti, conhecido pelo seu formato de coração quando visto de cima.
Apesar da excelente experiência, confesso que, do ponto de vista pessoal, o fervedouro que mais me encantou até agora foi o da Ceiça das Bananeiras. Cada fervedouro tem sua própria energia e magia.
Seguimos então para a Cabana da Jane, uma artesã local que nos recebe com alegria e compartilha não apenas seu trabalho, mas também sua história.
Ali, os passageiros aprendem a confeccionar peças de capim dourado, um dos símbolos do Jalapão, e ainda experimentamos um chá de abacaxi com cravo simplesmente inesquecível.


Um detalhe simples, mas que fez muita diferença para o grupo, especialmente para as mulheres, foi a atenção da Jane. Mesmo com uma estrutura modesta, o banheiro contava com itens essenciais, como absorventes – algo que nem sempre encontramos ao longo do roteiro.
Seguimos viagem passando por comunidades quilombolas como Fazenda Nova e Prata, já no trecho entre Mateiros e São Félix do Tocantins, que atualmente passa por obras de pavimentação.
Chegamos então ao Fervedouro Bela Vista, conhecido por oferecer a melhor estrutura entre os que visitamos, com excelente apoio ao visitante. Ainda assim, sigo com minha preferência pessoal pelo fervedouro da Ceiça, talvez pelo ambiente mais natural e acolhedor.
No fim do dia, seguimos para São Félix do Tocantins, onde visitamos a Prainha do Alecrim para contemplar o pôr do sol. Logo depois, conhecemos o Fervedouro do Alecrim, já no período da noite – um encerramento perfeito para um dia intenso.
Após as visitas, seguimos para a pousada, onde também foi servido o jantar. O cansaço é grande, mas a sensação de ter vivido algo raro é ainda maior.
Enquanto organizo minhas anotações, fica cada vez mais claro por que o Jalapão desperta tanta curiosidade em quem pesquisa sobre fervedouros, cachoeiras e experiências de natureza no Brasil.
📲 Veja fotos e vídeos do nosso Dia 4 no Jalapão no Instagram da RF TUR:
👉 https://www.instagram.com/reel/DTgjoZQkjX1/
É exatamente por isso que já estou preparando a próxima expedição ao Jalapão, para quem deseja viver tudo isso com organização, acompanhamento e tempo suficiente para aproveitar cada detalhe.
Amanhã será nosso último dia completo no Jalapão.
E ele reserva um desafio que ninguém espera no meio do Cerrado: rafting no Rio Soninho.
E posso garantir: esse dia vai mudar completamente a forma como você enxerga o que é viajar em grupo.
Eu sou especialista em viagens para grupos Católicos!

