A saída de Ponte Alta e o início de um dia intenso no Jalapão
Hoje acordamos em Ponte Alta do Tocantins já sabendo que seria um dia longo e cheio de experiências. Logo cedo, organizamos as mochilas, tomamos café da manhã e, em seguida, seguimos viagem por estrada de terra.
Grupo da RF TUR dentro do 4×4, já em estrada de terra, no início da expedição ao Jalapão
A partir desse ponto, a viagem ao Jalapão em grupo começa a revelar não apenas a sua natureza, mas também a sua história viva. Além disso, a presença das comunidades quilombolas mostra como a cultura e a identidade da região continuam preservadas.
Cânion Sussuapara: um dos lugares mais surpreendentes do Jalapão
Nossa primeira grande parada é no Cânion Sussuapara, um dos atrativos que mais surpreende quem pesquisa o que fazer no Jalapão além dos fervedouros.
O acesso é simples. No entanto, o impacto é imediato. Assim que entramos no cânion, a temperatura muda, o som da água ecoa entre as paredes rochosas e, ao mesmo tempo, a sensação é de estar em um ambiente quase intocado.
Embora a caminhada seja curta, ela acontece em um ambiente úmido, com pedras e vegetação fechada. Além disso, a luz entra suavemente pelas fendas do cânion, criando um cenário que convida ao silêncio e à contemplação.
Logo após sair do cânion, fazemos uma parada rápida para toalete. Nesse momento, somos surpreendidos por algo simples, mas extremamente representativo da cultura local.
Um morador da região, o seu Hugo, vendia geladinhos artesanais conhecidos como flau. Escolhi o de bacaba, um fruto típico do Cerrado, parecido com o açaí. Havia versões com e sem leite condensado.
Além de refrescante, o sabor lembrava uma vitamina bem gelada, perfeita para aquele momento de calor no Jalapão.
Almoço na Comunidade Quilombola Rio Novo
Em seguida, seguimos para o almoço na Comunidade Quilombola Rio Novo, no Restaurante Flor do Jalapão.
A comida é simples, típica e muito saborosa. No entanto, um ingrediente chama atenção: o arroz com pequi.
Aqui, vale uma explicação importante para quem nunca teve contato com esse fruto tão simbólico do Cerrado. O pequi tem um caroço coberto por pequenos espinhos microscópicos. Por isso, não se deve morder o pequi. O correto é raspar a polpa com o garfo ou “roer” com cuidado.
Curiosamente, quem aprende isso na prática dificilmente esquece. Talvez por isso exista até a brincadeira de que o pequi ajuda na memória.
Prainha Coração do Jalapão e a origem do nome Jalapão
Depois do almoço, seguimos para a Prainha Coração do Jalapão, às margens do Rio Novo. Embora o nome sugira praia, trata-se de uma praia de rio, com areia clara, água corrente e um ambiente perfeito para descanso.
É justamente ali que aproveitamos o banho, o redário e, além disso, o contato direto com a comunidade local.
Nesse ponto, cabe explicar a origem do nome Jalapão. Segundo relatos da região, o termo vem da batata de jalapa, uma planta medicinal do Cerrado. Algumas atingiam tamanhos grandes, e o povo dizia: “isso não é uma jalapa, é um jalapão”. Com o tempo, o nome acabou sendo associado a toda a região.
Prainha Coração do Jalapão, uma praia de rio perfeita para banho e descanso durante a expedição Rômullo Ferro na Rota 255, uma das estradas mais emblemáticas do Jalapão, durante a expedição em grupo da RF TUR.
Árvore dos Desejos e o primeiro registro do grupo
Na sequência, seguimos viagem em direção a Mateiros, mas antes fazemos uma parada no Recanto das Dunas, onde fica a Árvore dos Desejos.
Embora eu tivesse imaginado algo mais imponente, o local funciona como um espaço simbólico onde viajantes amarram fitinhas e fazem seus pedidos. Mesmo assim, ele rende um momento especial: foi ali que fizemos a primeira foto tradicional do grupo em cima do veículo.
Árvore dos Desejos no Jalapão, um ponto simbólico onde viajantes deixam seus pedidos e intenções
Dunas do Jalapão: o primeiro grande pôr do sol
Por fim, chegamos às Dunas do Jalapão, um dos lugares mais buscados por quem pesquisa pôr do sol nas dunas do Jalapão.
Embora o céu não estivesse totalmente limpo, o momento ainda assim foi especial. Além disso, a caminhada de cerca de 800 metros até o topo das dunas torna o cenário ainda mais marcante.
Nesse horário, um item é indispensável: repelente, já que os insetos aparecem com mais intensidade no fim da tarde.
Rômullo caminhando nas Dunas do Jalapão durante o pôr do sol da expedição
Encerramento do dia em Mateiros
Depois da visita às dunas, seguimos para o jantar e, em seguida, para a hospedagem em Mateiros.
Antes de dormir, organizamos novamente a mochila: roupas de banho para secar, equipamentos para carregar e tudo pronto para o dia seguinte.
Amanhã será um dos dias mais aguardados da expedição, com fervedouros, cachoeira de água cristalina e fenômenos naturais únicos.
No próximo post, vou explicar o que é um fervedouro, por que não afundamos e por que o Jalapão é praticamente único no mundo nesse tipo de fenômeno.
E é justamente aí que muita gente percebe que o Jalapão vai muito além das fotos.